Como identificar um projeto WordPress mal feito em 10 minutos

Você não precisa ser especialista nem passar horas auditando código para saber se um projeto WordPress foi mal executado. Em poucos minutos — às vezes em segundos — já dá para identificar sinais claros de problema técnico, dívida acumulada e decisões erradas. Este texto é um guia direto, prático e baseado em experiência real para reconhecer um WordPress mal feito antes que ele vire dor de cabeça.

Spoiler: quando é ruim, os sinais aparecem rápido

Projetos WordPress mal feitos não falham em silêncio. Eles deixam rastros.
O problema é que muita gente não sabe onde olhar.

Em 10 minutos, você consegue ter uma boa noção se está diante de:

  • Um projeto profissional ou uma bomba-relógio disfarçada de site bonito

Abra o site no celular (primeiro minuto)

Antes de qualquer ferramenta, abra no mobile.

Sinais clássicos de problema:

  • Site lento para carregar
  • Layout “pulando”
  • Texto pequeno ou mal espaçado
  • Elementos quebrados

Se o site já sofre no mobile, o problema geralmente é estrutural — não é “só ajuste fino”.


Inspecione o HTML (2 minutos)

Clique com o botão direito → Inspecionar.

Se você vê:

  • Camadas infinitas de <div>
  • Classes genéricas e repetidas
  • Estrutura semântica inexistente
  • Conteúdo principal perdido no meio do código

Isso indica HTML inflado, típico de projetos feitos no arrastar e soltar.

HTML ruim é sinal de:

  • SEO fraco
  • Performance ruim
  • Manutenção difícil

Veja quantos arquivos CSS e JS são carregados (1 minuto)

Abra a aba Network do navegador.

Red flags claras:

  • 15, 20, 30 arquivos CSS
  • JS sendo carregado em todas as páginas, sem necessidade
  • Scripts de plugins que nem aparecem na tela

Quanto mais dependência global, pior a saúde do projeto.


Cheque a hierarquia de títulos (H1, H2, H3) (1 minuto)

Use qualquer extensão simples ou até o próprio inspector.

Problemas comuns:

  • Mais de um H1
  • H1 usado como elemento visual
  • Pulando de H2 para H4
  • Headings usados só para “aumentar fonte”

Isso é um tiro no pé para SEO e acessibilidade.


Abra o painel administrativo (2 minutos)

Se você tem acesso ao admin, a verdade aparece rápido.

Sinais de alerta:

  • 15, 30, 50 plugins ativos
  • Plugins com funções sobrepostas
  • Plugins abandonados ou sem atualização
  • Tudo resolvido com plugin, nada com código

Projeto bom usa plugin como ferramenta, não como muleta.


Dê uma olhada no banco de dados (1 minuto)

Mesmo sem aprofundar, alguns sinais gritam:

  • Tabelas demais para um site simples
  • Prefixos estranhos
  • Plugins que criaram dezenas de tabelas
  • Lixo acumulado de plugins removidos

Quando um site institucional tem mais de 200 tabelas, algo está muito errado. (História real)


Veja como o cache está sendo tratado (1 minuto)

Perguntas simples:

  • Tem cache?
  • Cache é de página, objeto, CDN?
  • Limpa cache a cada acesso?

Cache mal configurado é quase tão ruim quanto não ter cache nenhum.


Observe como o site reage a pequenas mudanças

Esse é um teste indireto, mas poderoso.

Pergunte:

  • Atualizar um plugin quebra layout?
  • Trocar tema é inviável?
  • Qualquer ajuste exige “rezar”?

Se sim, o projeto não foi pensado para evoluir.


O padrão por trás de tudo isso

Projetos WordPress mal feitos geralmente compartilham a mesma origem:

  • Pressa
  • Preço baixo
  • Soluções visuais
  • Falta de base técnica

O site até funciona, mas vive no limite.


Importante: WordPress não é o problema

WordPress bem utilizado:

  • É rápido
  • Escala
  • É estável
  • Aguenta tráfego
  • É fácil de manter

O problema nunca foi o CMS.
O problema é como ele é usado.


Identificar um projeto WordPress mal feito cedo:

  • Evita retrabalho
  • Evita prejuízo
  • Evita desgaste com cliente
  • Evita promessas que não podem ser cumpridas

E a melhor parte:
você não precisa de ferramenta cara, só de olhar técnico.

Leonardo

Engenheiro de Software especializado em PHP e Laravel, com ampla experiência no desenvolvimento de APIs, automações, sistemas de mensageria, estratégias de cache e integrações com serviços externos. Atua na arquitetura e evolução de sistemas escaláveis, com foco em performance, segurança, estabilidade e manutenibilidade do código, aplicando boas práticas de engenharia de software em ambientes de produção críticos.

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