WordPress não é amador. Amador é o uso que fazem dele.

Foto de Justin Morgan na Unsplash

WordPress não é lento, frágil ou amador. Ele só ficou mal-falado porque virou refém de más decisões técnicas — principalmente do abuso de construtores visuais do tipo arrastar e soltar. Neste texto, faço uma crítica direta, sem romantização, sobre por que tantos sites WordPress são ruins e quem realmente é o culpado.


Vamos começar com o óbvio que ninguém gosta de dizer

WordPress move uma fatia gigantesca da internet. Portais de notícias, sites institucionais, e-commerces, projetos governamentais e empresas milionárias usam WordPress em produção, com alto tráfego e performance.

Se o WordPress fosse o problema, esses sites simplesmente não existiriam.

O que existe, na prática, é outra coisa:
WordPress virou terra sem lei técnica.


O mito: “WordPress é lento”

Não.
Lento é o jeito que ele é montado.

WordPress, por padrão:

  • Renderiza HTML no servidor
  • Funciona muito bem com cache
  • Escala com Cloudflare, CDN e NGINX
  • Aguenta alto volume quando bem configurado

O que deixa o site lento não é o core. É o ecossistema mal utilizado.


O verdadeiro vilão: o “arrastar e soltar”

Construtores visuais como Elementor, WPBakery e similares não são ferramentas neutras. Eles impõem um modelo de desenvolvimento que cobra um preço alto — e quase sempre invisível para o cliente final.

O que realmente acontece por baixo do capô

Um site feito com drag and drop geralmente entrega:

  • HTML inflado, sem semântica
  • CSS duplicado, inline, desorganizado
  • JavaScript carregado em excesso
  • Dependência de dezenas de scripts globais
  • Layouts quebradiços fora do editor

Tudo isso para resolver algo simples: posicionar bloco na tela.


O problema não é o plugin. É o conceito.

Construtores visuais vendem a ideia de “qualquer um pode criar um site”.
Tecnicamente, isso é verdade.
Profissionalmente, é um desastre.

Criar um site não é:

  • Arrastar caixa
  • Escolher fonte
  • Mudar cor

Criar um site é:

  • Pensar estrutura
  • Performance
  • SEO
  • Manutenção
  • Evolução futura

E nisso, drag and drop falha e falha muito.


SEO sofre (e muito)

Sites feitos com construtores visuais costumam ter:

  • Hierarquia de headings quebrada
  • Conteúdo diluído em divs sem sentido
  • HTML difícil de interpretar para crawlers
  • Tempo de carregamento alto no mobile

Depois, o cliente culpa:

  • O Google
  • O WordPress
  • O servidor
  • O SEO

Quando, na verdade, o problema nasceu no layout.


Manutenção vira um inferno silencioso

Todo site precisa evoluir.
E é aqui que o arrastar e soltar cobra a conta.

  • Atualização quebra layout
  • Plugin vira dependência crítica
  • Migrar tema vira pesadelo
  • Refatorar é praticamente impossível

O site funciona… até o dia que não funciona mais.

E quando dá problema, ninguém quer mexer.


“Mas é mais rápido desenvolver”

É mais rápido entregar.
Não é mais rápido manter.

Construtores visuais economizam horas no início e custam meses no futuro.
É dívida técnica disfarçada de produtividade.

A culpa também acaba sendo do cliente, que pretende lançar seu negócio em 1 semana e acha um ‘programador wordpress’ que entrega o projeto em 3 dias por menos de R$ 500 (História real)

Cansei de refazer sites em WordPress que foram utilizados ‘arrastar e soltar’, quando falo para o cliente que não da para aproveitar nada, ele ainda fica bravo comigo.

Na verdade não deveria estar fazendo essa crítica, poque é muito bom refazer esses sites, você refaz o tema, olha o banco de dados e tem lá mais de 245 tabelas para um portal de notícias regional ou até mesmo institucional (Mais uma história real), com certeza não saiu por R$ 500


WordPress bem feito é outra história

Quando WordPress é usado como deve ser:

  • Tema enxuto
  • PHP bem estruturado
  • HTML semântico
  • CSS organizado
  • JS apenas quando necessário
  • Cache correto
  • Integração com CDN

O resultado é:

  • Site rápido
  • SEO limpo
  • Fácil de manter
  • Fácil de evoluir
  • Profissional

Isso não aparece em tutorial de “site em 30 minutos”.


O mercado criou o problema — e culpa a ferramenta

O que estragou a reputação do WordPress não foi o WordPress.

Foi:

  • Freelancer sem base técnica
  • Agência vendendo atalho
  • Cliente buscando preço, não solução
  • Cultura do “funciona, então tá bom”

O arrastar e soltar só acelerou esse processo.


WordPress não é amador — o uso dele que é

WordPress é uma ferramenta poderosa.
Mas ferramenta boa na mão errada vira problema.

Se você quer:

  • Performance
  • SEO
  • Escalabilidade
  • Longevidade

Então pare de tratar WordPress como brinquedo visual.

Porque no fim, não é o CMS que define a qualidade do site.
É quem está por trás das decisões técnicas.