
Deploy manual funciona até o dia em que deixa de funcionar. Enquanto o projeto é pequeno e o time é reduzido, subir código via SSH, rodar alguns comandos e torcer para dar certo parece aceitável. Em projetos reais, com mais gente mexendo, deploy frequente e produção rodando 24/7, isso vira risco operacional.
CI/CD não é sobre velocidade. É sobre previsibilidade, repetibilidade e segurança no processo de entrega.
O que CI/CD realmente resolve em projetos Laravel
Em aplicações Laravel, o pipeline de deploy resolve três problemas clássicos:
- Ambiente inconsistente
O código roda local, mas quebra em produção porque algo foi esquecido ou executado fora de ordem. - Deploys inseguros
Código sobe sem testes, sem validação, sem rollback fácil. - Processo dependente de pessoas
“Só fulano sabe fazer deploy”. Quando ele não está, ninguém sobe nada.
CI/CD elimina esses pontos ao transformar deploy em processo automatizado, não em ritual manual.
Conceito básico do pipeline (independente da ferramenta)
Antes de falar de GitHub Actions ou GitLab CI, é importante entender o fluxo lógico. Um pipeline de Laravel bem definido costuma ter estas etapas:
- Checkout do código
- Instalação de dependências
- Execução de testes
- Build (quando aplicável)
- Deploy
- Pós-deploy (migrations, cache, filas)
Se qualquer etapa falhar, o deploy não acontece. Isso é uma proteção, não um obstáculo.
Estrutura mínima de um deploy Laravel saudável
Independente de cloud ou CI, alguns princípios não mudam:
composer installsempre em modo produção.envnunca versionadoAPP_ENVeAPP_DEBUGcorretos- migrations rodando de forma controlada
- cache/config/views limpos e recompilados
- workers reiniciados corretamente
Se isso não estiver automatizado, o risco é constante.
Exemplo de pipeline com GitHub Actions
Um pipeline simples, mas funcional, usando GitHub Actions:
name: Deploy Laravel
on:
push:
branches:
- main
jobs:
deploy:
runs-on: ubuntu-latest
steps:
- name: Checkout
uses: actions/checkout@v4
- name: Setup PHP
uses: shivammathur/setup-php@v2
with:
php-version: '8.2'
extensions: mbstring, pdo, pdo_mysql
- name: Install dependencies
run: composer install --no-dev --optimize-autoloader
- name: Run tests
run: php artisan test
- name: Deploy via SSH
uses: appleboy/ssh-action@v1
with:
host: ${{ secrets.SERVER_HOST }}
username: ${{ secrets.SERVER_USER }}
key: ${{ secrets.SERVER_SSH_KEY }}
script: |
cd /var/www/app
git pull origin main
composer install --no-dev --optimize-autoloader
php artisan migrate --force
php artisan optimize
php artisan queue:restart
Onde muita gente erra no deploy de Laravel
Rodar migration sem pensar em impacto
Migration em produção pode travar tabela, gerar lentidão ou indisponibilidade. CI/CD não elimina isso. Ele apenas automatiza. Migration precisa ser escrita com consciência de produção.
Cache mal tratado
Não limpar/recriar cache de config e routes gera bugs difíceis de explicar. Cache antigo em produção é clássico.
Workers esquecidos
Deploy sobe código novo, mas workers continuam rodando código antigo. Resultado: comportamento inconsistente.
Falta de rollback
CI/CD sem rollback é metade da solução. Mesmo que seja manual, precisa existir um caminho claro para voltar.
Estratégia simples de rollback
Mesmo sem blue/green ou canary, dá para ter rollback básico:
- manter tags ou releases
- usar
git checkoutpara versão anterior - rodar
php artisan migrate:rollbackquando aplicável - reiniciar workers
O importante é ter plano. Não improvisar sob pressão.
CI/CD não substitui observabilidade
Deploy automatizado reduz erro humano, mas não impede bugs. Por isso, CI/CD precisa andar junto com:
- monitoramento de erros
- alertas pós-deploy
- logs estruturados
- métricas de saúde
Deploy sem visibilidade é só um erro mais rápido.
CI/CD em projetos Laravel não é luxo nem modinha. É uma camada básica de segurança operacional. Ele garante que o código passe sempre pelo mesmo caminho, reduz risco humano e cria previsibilidade no processo de entrega.
Quando o deploy deixa de ser um evento tenso e vira algo rotineiro, o time ganha confiança para evoluir o sistema. E isso, no fim, é o que permite crescer sem quebrar tudo a cada release.







